Avanço do mar: Atafona pode estar desaparecendo (RJ)

00:17 Marco Lyra | Engenheiro Civil | Especialista em Obras de Defesa Costeira. 0 Comentarios


(Fotos: Ralph Braz | Pense Diferente)
Uma história que jamais será esquecida em Atafona, 2º distrito de São João da Barra, é o avanço do mar que a cada dia constrói um novo cenário atrativo para turistas e visitantes. O Açu, 5º distrito, também vêm sofrendo com a fúria do mar. Segundo especialistas, o que acontece é um fenômeno de transgressão do mar, que nos últimos 35 anos avançou três metros a cada 12 meses. A cada ano o mar avança cerca de 3 metros.

Através de uma pesquisa, 15 ruas e cerca de 500 casas já foram engolidas pelo mar. Em apenas um ano, a violência do mar sumiu com uma área do tamanho de três campos de futebol.

Segundo a artista plástica, Márcia Coutinho, 56 anos, ela vivencia esse fenômeno da natureza e com perdas de grande parte histórica de famílias tradicionais.


– A casa do meu pai foi tombada no ano de 1996 e minha mãe, Marina Martins de Oliveira, sofreu muito com a perda do patrimônio. A intenção era fazer uma casa para encontros de nossos familiares e amigos, mas infelizmente o mar avançou demais e acabou com um grande momento de nossa família -, disse.


No início dos anos 70, magníficos casarões foram sendo construídos, sendo o primeiro, da Indústria de Bebidas do empresário Hugo Aquino, na rua Capitão Nelson Pereira e assim as águas do mar vieram invadindo trechos da praia mais próximos à foz do rio, destruindo tudo que estava a sua frente.

De acordo com a aposentada Suelli Alvarenga Stvelse, de 76 anos, o efeito do avanço do mar é ao mesmo tempo triste, mas surpreendente.

– Atafona foi onde vivi minha infância, onde encontrei muitos amigos e sempre estive presente nas festas dos casarões que já foram destruídos. É cada cenário que ficamos encantados com a destruição das casas, sem contar também, entristecidos pelas famílias que já tiveram que abandonar suas residências – , disse Suelli.

O jornal ‘Voz de São João da Barra’ no dia 22 de agosto de 1974, trouxe a primeira matéria mostrando a fúria do mar que ameaçava casas do Pontal, em Atafona. Naquela época, como consta no jornal, a construção de um dique de pedras de 150 metros poderia resolver o problema dos pescadores do Pontal. Com o passar dos anos, um novo cenário vem sendo construído e casas estão sendo devoradas pelo mar avassalador.


O Pontal é conhecido também pelo grande encontro do rio Paraíba do Sul com o mar que atualmente sofre com a falta d’água e vem perdendo força.

O técnico em Turismo, André Pinto, atuou como colaborador do projeto “Erosão de Atafona”, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Segundo André, em entrevista para a SECOM – SJB, o distrito tem características peculiares que fazem com que ali sejam sentidas estas transformações mais drásticas.

– A forte dinâmica das correntes marinhas, a formação geológica e por ser o ponto de tensão dos ventos vindos do nordeste, além da construção irregular nas faixas do rio e do mar, fazem com que Atafona viva este problema com tanta intensidade -, destacou.


No dia 05 de abril de 2008, a maré conseguiu tombar a construção, conhecida como Prédio do Julinho, construído pelo empresário Júlio Ferreira da Silva em 1973, que era referência na praia. O edifício, de quatro andares, foi projetado para abrigar um hotel com 48 apartamentos.


O Atafona Praia Clube, situado na rua Feliciano Sodré, 229, Centro de Atafona, que já foi palco de diversos shows, em especial, aos bailes de carnaval que se transformavam em noites de muita folia, divididos em quatro matinês, no final dos anos 50, encontra-se fechado há 10 anos e está somente com suas estruturas sendo consideradas uma das próximas a serem tombadas pelo avanço do mar.


Em agosto de 2014, um projeto conceitual sobre a viabilidade de conter o avanço do mar foi apresentado no auditório da prefeitura e contou com a presença do prefeito José Amaro de Souza Neco, vereadores e secretários. “A recuperação da orla de Atafona é possível e viável”. A declaração é do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), o engenheiro Domenico Accetta. 


Fonte: ralphbraz.blogspot.com.br

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