Atafona além do avanço do mar (RJ)

Como falar de Atafona? Será mesmo um moinho? Quais os ventos que sopram por essas bandas? São as histórias de pescador, a memória do trem, o desastre ambiental ou a beleza do cotidiano que se esconde em meio ao caos?

Atafona, distrito de São João da Barra, fundada por um pescador em 1622, é mais conhecida pelo fenômeno natural do avanço do mar, que desde a década de 50 tem levado diversas ruas e casas na localidade. Guarda também o patrimônio ambiental de ser foz do rio Paraíba do Sul e cenário histórico da economia, com a era do trem. Já foi visitada por figuras ilustres, que sempre aparecem para pesquisar, gravar ou se tratar. Há também a areia medicinal e colônia espiritual, que marcam outros aspectos do lugar. Por Atafona, já passou até disco voador, contam os populares. Mas, o que há por de traz das ruínas? Como vivem as pessoas desse balneário? Atafona vive, existe e resiste com seus sabores, cores e personalidades.

Um dos marcos da praia sanjoanense é o bolinho de aipim, servido no restaurante do Ricardinho, localizado ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Penha em Atafona. “Vir a Atafona e não comer bolinho de aipim do Ricardinho é como ir a Roma e não visitar o Vaticano”, disse Carlos Augusto ao aguardar o tão famoso bolinho na mesa do restaurante.

O restaurante foi fundado em 1978 pela família de Ricardo Hissa, campista de coração atafonense, que escolheu o vilarejo para constituir sua família, seus amigos e empreendimentos. A receita veio da sogra do Ricardo, Minervina Pereira, que fazia os bolinhos em casa e passou os ensinamentos para filha Cristina, responsável até hoje pelo tempero do quitute.

Nem sempre o restaurante teve esse endereço, as primeiras versões, ficavam localizadas próximo ao Pontal e tristemente foram tomadas pelo mar. No atual endereço, o Ricardinho funciona há 20 anos.

Segundo a herdeira da receita, Camila Hissa, o bolinho não possui mistério. “É apenas a massa fresca do aipim, que não leva trigo e nenhum outro material de liga. A gente tempera e coloca o recheio, que também é fresquinho”. Camila administra hoje o restaurante junto de seu esposo, o chef Lucas Miranda. O bolinho, antes só de camarão, carne seca e queijo, hoje sofreu algumas alterações, misturando recheios e recebendo deliciosos molhos, criações do chef Miranda.

Camila conta que o foco dos pais sempre foi trabalhar com pescados, por isso a preocupação atual do restaurante é manter a valorização dos produtos locais e serem reconhecidos pela especialidade em frutos do mar. Além de manter viva a memória do chefe da família. “Muitas pessoas vêm para Atafona para ver o que aconteceu e acabam escolhendo o lugar para gastar seu dinheiro, passar as férias. Atafona tem vida, se não tivesse, ninguém moraria aqui. O que aconteceu é triste, têm muitas histórias e lembranças envolvidas, mas trabalho segue”.

Ruínas servem de cenário para fotografias

A arte e poesia também podem ser respiradas no litoral sanjoanense. “Fazer as pessoas refletirem sobre si mesmas e sobre o lugar onde vivem”, essa é a tradução do artista contemporâneo Amauri Albinante, mais conhecido como Anjo Amauri, que utiliza da arte da fotografia para expressar suas emoções, crenças e ideologias. “Eu sei que para uns pode ser uma coisa triste e talvez desesperadora essa questão do avanço do mar que ocorre aqui. Mas para mim, que sou artista, desde sempre, todo esse caos me inspira. Eu consigo ver arte, beleza e poesia em meio a tudo isso que, especialmente também gosto de chamar de confusão. É uma fonte inesgotável de inspiração”, diz o fotógrafo amador.

Amauri, de 31 anos, é nascido em Nova Iguaçu, mas desde 94 tem São João da Barra como sua cidade mãe. Mesmo atualmente não morando em Atafona, é por esse local que o artista possui um apego em especial. Ele não gostava de foto, de tirá-las e nem de ser fotografado, muito pelo sentimento de preconceito que sofria, por ter uma deficiência no membro superior.

Atualmente, as ruínas de Atafona servem como cenário para suas fotografias. O artista diz que consegue ver a arte, beleza e poesia em meio a tudo que tem acontecido. “As pessoas dizem que a natureza está errada. Mas e se ela estiver certa? Não somos nós que estamos sempre querendo tomar conta e posse do que de fato, sempre foi dela?”, opinou

Sobre Atafona, Amauri deseja que essa situação da erosão marítima desperte mais atenção para a localidade, não só no sentido do problema em si, mas também para outras questões, como assistência básica e recursos públicos.

Criatividade de bar atrai olhares curiosos

“É uma mistura de roça e praia”. Com sorriso largo no rosto é assim que Nico define Atafona, lugar que escolheu para viver há 4 anos. Dono do bar mais criativo do distrito, ele se tornou uma poesia viva, por valorizar coisas simples e tratar quase tudo como arte.

Nico, atualmente com 46 anos, é um cara simples, que apesar de possuir ensino técnico, escolheu viver de forma independente e criativa. Antes de se fixar em Atafona, Nico administrava um bar em Campos. “Minha irmã tinha um terreno aqui (em Atafona), que acaba sendo meu também porque sempre nos demos muito bem. Então, eu vim para cá e comecei a colocar tudo do meu jeitinho. A ideia era manter o bar com todas as coisas que eu já havia feito”, contou Nico, que mora hoje na estrada da Imbiribeira, nos fundos do Balneário. “Essa estrada é linda. Quando cheguei aqui, coloquei a placa com o nome dela e fui montando minhas coisas. As pessoas estranharam (algumas estranham até hoje), mas muitas admiram e eu recebo muitas visitas. Tenho muitos amigos, até mesmo as pessoas que me conheciam de Campos”.

Para ele, Atafona tem memórias de situações muito tristes, de perdas, que ele mesmo já viveu (como por exemplo, o Pontal). Mas o que importa para o artista é a paz que o lugar o permitiu, é assim que Nico escolheu viver e espera retribuir.

Movimentos defendem recuperação de orla

O mar de Atafona continua avançando e muitos estudos sobre o tema foram realizados. Recentemente, o ex-deputado estadual Roberto Henriques, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias, apresentou ao governo municipal o Projeto de Recuperação da Orla da Praia de Atafona, processo que ainda está em avaliação. Em abril deste ano, a vereadora Sônia Pereira (PT) chegou a uma indicação ao poder Executivo, solicitando cópia do projeto apresentado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) para a recuperação da orla de Atafona. O objetivo, segundo ela, é analisar o material com os demais vereadores e tentar obter recursos com o governo federal para realização.

Movimentos sociais, como o SOS Atafona, fortalecem a luta de moradores e admiradores da praia, em prol de minimizar os impactos e exigir atenção por parte dos órgãos públicos, para que Atafona não perca mais do que já perdeu. O movimento SOS Atafona, de cunho voluntário e social, existe há dois anos com a participação espontânea de moradores e utilitários da praia sanjoanense, com o objetivo de resgatar as condições de vivência no local. “Atualmente a prioridade do grupo tem sido a retirada da areia, mas há outros interesses, como a valorização da pesca artesanal, que fazem parte da bandeira de luta”, disse o advogado Geraldo Machado, que faz parte do movimento.

Enquanto isso, “bolinhos” vão consagrando a história dessa terra, que quanto mais perde, mais luta, mais cria, mais vive!

Fonte: www.folha1.com.br

Trânsito na ladeira do Cabo Branco será interditado a partir da próxima semana (PB)

Barreira do Cabo Branco vem sofrendo com a erosão.
Foto: www.paraibanos.com/Caroleig
Área superior da barreira do Cabo Branco.
Imagem: Reprodução/TV Cabo Branco
A Prefeitura de João Pessoa vai interditar em definitivo o trânsito na ladeira do Cabo Branco a partir da próxima semana. A data específica será definida nesta quinta-feira (18), em reunião entre a secretária de Planejamento da capital, Daniella Bandeira, e o superintendente de Mobilidade Urbana, Carlos Batinga. A decisão faz parte das intervenções para retardar a erosão na falésia e faz parte das recomendações feitas pela Superintendência de Desenvolvimento do Meio Ambiente (Sudema). A interdição ocorre no momento, também, em que é retomada a polêmica em relação à construção de um hotel na área considerada de risco pelo poder público municipal.

De acordo com Daniella Bandeira, a interdição começará a partir da área localizada depois do Gulliver Mar Restaurante, o antigo Bargaço. O trânsito antes da ladeira será mantido para não atrapalhar a atividade econômica dos restaurantes existentes no local. A área da subida, segundo a avaliação da Seplan, está comprometida pelo risco de desabamento. A área foi extremamente comprometida pelo avanço do mar, que destruiu toda a antiga Praça de Iemanjá. O trecho, inclusive, está inserido na área considerada de risco no decreto de Situação de Emergência editado pelo prefeito Luciano Cartaxo (PSD) ainda no ano passado.

As intervenções serão realizadas tanto no continente quanto no mar, com o objetivo de reduzir o avanço da erosão. Uma das primeiras providências é a recomposição e redimensionamento de toda a drenagem da área, além da eliminação do tráfego em trechos que possam acelerar a degradação. A expectativa do poder público é que sejam investidos mais de R$ 81 milhões nas obras em um dos pontos turísticos mais importantes do Estado.

Obras em hotel

A retomada da construção de um hotel na base da barreira do Cabo Branco, próximo do trecho que será interditado, tem gerado preocupação da prefeitura. O prefeito Luciano Cartaxo disse nesta quarta-feira (17) que haverá uma inspeção minuciosa na obra e ela será interditada novamente se houver irregularidade. O entendimento da prefeitura é que a decisão judicial que motivou a liberação das licenças ambientais da Sudema e da Semam, além dos serviços da Cagepa, não se sustenta na realidade atual. A obra foi embargada em 2007 e foi retomada apenas dez anos depois, em meio a uma judicialização que envolveu todas as instâncias.

O entendimento do prefeito, reforçado pela secretária de Planejamento, é que o Estado de Emergência decretado pela prefeitura cria o lastro para uma intervenção administrativa. O argumento é o de que o estado da falésia se agravou desde o primeiro embargo. “Temos motivos para acreditar que a retomada da obra possa agravar a situação da barreira”, ressalta Daniella Bandeira, mas assegurando que caberá às inspeções demonstrar isso. “A decisão será técnica”, acrescentou.

Imperial

Por meio de nota, a Imperial Construções informou “que o projeto em questão está de acordo com todas as leis e regras vigentes e trabalha de acordo com a licença ambiental emitida pela Secretaria do Meio Ambiente (SEMAM), pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (SUDEMA) e ​com o alvará emitido pela Prefeitura Municipal de João Pessoa, o que comprova que a obra está completamente de acordo com o Plano Diretor do Município, a Lei Orgânica do Município, a Lei Ambiental e a Constituição do Estado. A construção do empreendimento também recebeu decisão judicial favorável de todas as instâncias do poder judiciário”.

Fonte: blogs.jornaldaparaiba.com.br/suetoni

Movimento avança com queixa em Bruxelas contra obra na costa da Figueira da Foz (Portugal)

O movimento cívico SOS Cabedelo vai avançar com uma queixa em Bruxelas contra a intervenção em praias da Figueira da Foz, considerando que a obra da Agência Portuguesa do Ambiente agrava o problema de erosão.

O projeto de reconstituição do cordão dunar da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está previsto para as praias da Leirosa e Cabedelo (Figueira da Foz), e Vagueira (Vagos), e arrancou há cerca de uma semana na Leirosa, depois de vários alertas lançados pelo movimento contra uma obra que consideram que vai agravar a erosão que já afeta aquela zona costeira.

"Vamos apresentar uma queixa à Comissão Europeia", disse à agência Lusa um dos responsáveis do SOS Cabedelo, Miguel Figueira, considerando que, caso a intervenção chegue ao Cabedelo, o movimento vai mobilizar a comunidade para "defender a praia" e garante que "lá não entram" as máquinas.

Em causa, está o método escolhido pela APA para a reconstituição do cordão dunar, um projeto com um investimento de mais de 400 mil euros e com apoio de fundos comunitários, através do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR).

Na Leirosa, o movimento diz que constatou que a Agência Portuguesa do Ambiente está a "roubar areias ao mar" para fazer a duna primária, através do método de ripagem, num espaço que já é "deficitário de areia", explanou.

O banco de areia que cria a duna hidráulica, também conhecido como "praia submersa", "é a primeira barreira na proteção costeira", sendo que em vez de se diminuir o impacto de erosão na costa, a intervenção da APA está a gravar o efeito erosivo, disse um dos responsáveis do movimento, sublinhando ainda que a eliminação do banco também põe em causa a prática do surf naquela zona da costa.

Segundo o SOS Cabedelo, as zonas a sul das intervenções nas praias ficarão mais expostas ao avanço do mar, sendo que, no caso da praia da Leirosa, poderá afetar um aglomerado urbano a sul, e, no caso do Cabedelo, o Hospital da Figueira da Foz.

"Não achamos aceitável roubar areias ao mar. Tem um impacto muito agressivo", sublinhou Miguel Figueira, frisando que a obra da APA não vai ao encontro da própria estratégia assumida pelo Governo, que assenta "na reposição do equilíbrio sedimentar".

Para a SOS Cabedelo, a intervenção deveria passar pela injeção de areia "exterior ao sistema", para se conseguir combater a erosão naquela zona da costa da Figueira da Foz.

"Deviam ir buscar areia a um sítio com excesso, como é o caso da praia da Figueira", realçou.

A agência Lusa tentou, sem sucesso, obter uma resposta por parte da APA.

Fonte: www.dn.pt

Avanço do mar causa erosão de parte da BR-367 e preocupa motoristas e pedestres (BA)

Situação ocorre entre Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, no sul do estado, desde o ano passado.

Parte do asfalto da BR-367, entre Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia, onde fica a praia de Ponta Grande, está cedendo por causa da erosão provocada pelo avanço do mar. A situação ocorre desde o ano passado e ainda não foi solucionada.

Além dos danos ao asfalto da rodovia federal, árvores estão caindo e há rachaduras em diversos pontos da estrada. Há 3 anos, o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), construiu um paredão de pedras para tentar conter o avanço do mar.

Acontece que essa estrutura não tem sido suficiente, porque no ponto onde o paredão acaba a destruição tem sido ainda mais devastadora. A infiltração da água por debaixo da pista já provoca o desmoronamento do asfalto.

Do alto [como nas imagens da reportagem acima], dá para perceber que o acostamento já cedeu e a setas refletoras tiveram que ser colocadas no meio de uma das pistas. Essa situação obriga muitos motoristas a irem pela contramão.

Além de pedestres e motoristas que precisam passar pela pista todos os dias e sentem os reflexos dessa erosão, os cabaneiros têm investido em obras de contenção para evitar prejuízos. Em outubro do ano passado, o Dnit disse que seria construída, ainda em 2016, uma pista de desvio, mas apenas o recapeamento do asfalto foi feito.

A assessoria do Dnit disse que existe um projeto de mudança do traçado desse trecho da estrada, que depende da aprovação do órgão, em Brasília. Enquanto isso, ainda segundo o Dnit, um projeto menor está sendo elaborado para resolver o problema, mas ainda não tem data para execução.

Fonte: G1
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