Obras de proteção costeira e construção de passeio e ciclovia na marginal da Figueira da Foz (Portugal)

Foto: DB-Jot’Alves
As obras de proteção costeira do troço da praia entre o início da rua 5 de Outubro e a Tamargueira, executadas pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), estão em curso. Trata-se da única zona da marginal oceânica da Figueira da Foz sem passeio e ciclovia, que agora vão ser construídos.

O prazo de conclusão está dependente das condições marítimas, podendo ultrapassar a época balnear, mas não afetá-la, já que os trabalhos serão interrompidos, no dia 15 de junho, se a obra não ficar concluída até àquela data, sendo retomada em finais de setembro.

Espero que os trabalhos corram bem. Criámos condições para que eles se desenvolvessem com brevidade. Até agora, estão a decorrer dentro do prazo”, declarou ao Diário As Beiras João Ataíde, presidente da Câmara da Figueira da Foz.

Todavia, para que toda a avenida marítima possa ter passeios e ciclovia com as devidas dimensões, a autarquia terá de completar o trabalho, numa pequena área.

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Fonte: www.asbeiras.pt

Atafona por água abaixo (RJ)

A história de um pontal que pode desaparecer do mapa

RIO - Ela se lembra de ter ido dormir e acordar com a casa sendo levada pelo mar. No primeiro momento, não sabia se chorava ou se corria para salvar os pertences arrastados pela água. Daí em diante, o mar foi só tomando conta. A história da vendedora de peixe Pedrina Bueno é apenas uma de muitas perdidas nos escombros do Pontal de Atafona, distrito de São João da Barra, no Norte Fluminense. Desde os anos 1970, o lugar sofre com o avanço do mar, que afeta casas de moradores e veranistas. O problema parece ter se acelerado, segundo relatos locais, e não há solução à vista.


Pedrina viveu um tempo de favor na casa de amigos até conseguir uma casa em outro bairro. Ela se lembra do clube e do posto de gasolina (muito conhecido por ser o único na cidade), ambos destruídos pelo mar.

— Não consegui salvar quase nada, e o que restou foi apenas a recordação. As paredes caíram, e tudo foi por água abaixo — conta.

Especialistas observam o fenômeno há anos. Um estudo do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo levanta três hipóteses como causas do problema em Atafona. A primeira se baseia no acúmulo de sedimentos na foz, que enfraqueceu a força da correnteza do Rio Paraíba do Sul e provocou a sobreposição do mar ao rio.

Resto das casas destruídas na praia de Atafona - Larissa Muylaert
Outra hipótese é a mudança das correntes marinhas, que contribuem para a erosão. Por fim, a praia pode estar sofrendo desmoronamentos regressivos na subsuperfície, o que contribui para aumentar muito rapidamente o nível médio do mar.

— Esse processo erosivo sempre existiu, mas não acentuado como está hoje. Muitos dizem que a solução para o pontal pode ser um quebra-mar, e isso realmente pode ser feito. Mas, toda vez que mudamos uma corrente marinha, ela vai para outro lugar. Pode até resolver o problema aqui, mas vai prejudicar outro local — afirma o geógrafo Alex Ramos, do Espaço da Ciência.

O tema está no cotidiano dos moradores. Para alguns, é a natureza no comando.

— O mar está levando o que é dele. O ser humano só destrói — opina o lavrador Ivaldo Silva, de 58 anos, que já perdeu uma casa.

São cerca de três metros a menos de faixa de areia a cada ano. O processo se intensifica de novembro a março, quando a maré aumenta e, com ela, o nível do mar.

— Atafona já foi muito bonita. Vinha gente de fora para conhecer. Agora, eles vêm mais para ver a destruição ou visitar parentes que ficaram por aqui — lamenta o pescador Jorge Gonçalves, que tem o mar como parceiro há 36 anos. — Quase ninguém mais vive da pesca, dependendo do Rio Paraíba do Sul pra sobreviver.

FALTA DE VERBAS

O mar é, ao mesmo tempo, cúmplice e destruidor na vida dos pescadores da região. E as autoridades locais não têm conseguido frear a erosão. De acordo com a prefeitura de São João da Barra, o município não é capaz de arcar com os gastos de um projeto para conter o avanço do mar.

“Estudos efetuados pela Secretaria de Portos, por meio do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias, que mostra a viabilidade de contenção a um custo em torno de R$ 130 milhões a R$ 190 milhões, foge às condições do município”, informou a assessoria da prefeitura, por e-mail.

O órgão informou, ainda, que buscará junto ao governo federal recursos para viabilizar o Anteprojeto de Proteção e Restauração de praia de Atafona, já pronto, mas que não foi à frente, segundo a prefeitura, por falta de verbas.

— Com vários processos feitos para desvio de água para abastecer cidades vizinhas, o rio passou a jogar o acúmulo de sedimentos no mar. Tudo isso contribuiu para o processo erosivo. O maior problema é o Rio Paraíba do Sul. Ninguém toma providência. O rio está acabando — afirma Jorge Gonçalves.

Dentre as várias hipóteses sobre a erosão marinha no pontal, a moradora Silvana Gonçalves, de 36 anos, prefere acreditar que é um fenômeno natural.

— É gostoso ouvir o barulho do mar aqui do lado. Não tenho medo. Deus sabe de todas as coisas. O que é do mar, é do mar. A natureza não tem explicação.

Escombros de uma residência no Pontal - Larissa Muylaert
Outra moradora, Silvana Lisboa, reside em uma casa tomada pela areia, com seus dois filhos. Seguiria ali pelo resto da vida “se não fosse esse rebuliço do mar”. Ela já encontrou a moradia desabitada, há três anos. Nem sequer sabe quem é o verdadeiro dono.

— Esta casa devia ser de veranista que acha que perdeu a casa nos escombros. Eu ocupei, mas se vierem eu saio — promete.

Jair Viera vive em Atafona desde que nasceu, e guarda fotos sobre a cidade nos anos 1960. A ideia é criar um acervo.

— Antes, se via a divisão entre o mar e o rio. Hoje, o rio não tem mais força. Foram 15 ruas e 450 casas destruídas, aproximadamente — estima. — Só sinto tristeza quando olho o Pontal. Antigamente, era lotado, tinha palmeiras, pescadores, crianças e agora é isso aí. Atafona vai ficando só na lembrança.

LEMBRANÇAS DA ILHA

Faixa de areia que restou da Ilha da Convivência - Larissa Muylaert
Os moradores temem que Atafona se transforme numa nova Ilha da Convivência. O lugar fica a 850 metros do pontal e era residência de pescadores. Já chegou a reunir 400 famílias, mesmo com a água potável chegando em barcos, e sem luz elétrica. Hoje, o panorama é diferente. Quem visita o local não vê nada além de uma faixa de areia.

Mas, aos olhos de quem a conheceu, a Convivência “deixou saudade”, conforme conta Benedito Pedra, ex-morador da ilha.

— Nasci lá. Era o lugar da gente. Me casei e criei meus filhos.

O geógrafo Alex Ramos relata que era comum na ilha a prática do escambo entre os moradores. Devido à erosão marinha, hoje a Convivência possui apenas 15% da área original. A última moradora foi Belita Pedra, já falecida. Ela ajudava a manter a ilha e dizia que só iria embora quando a Convivência acabasse ou ela morresse.

Com saudades da ilha e de seus amigos que hoje moram distribuídos em Atafona, São João da Barra e Grussaí, Benedito resume o que sente.

— Éramos uma grande família, todo mundo se conhecia, se ajudava. Hoje não sei onde as pessoas moram. O mar levou parte da Convivência quando separou a gente.

Fonte: O Globo

Orla de Jaboatão receberá obra para reter a maré (PE)

Quatro anos após os serviços de engorda nas praias de Jaboatão, prefeitura prepara intervenção em trecho onde o mar voltou a avançar

Orla de Jaboatão receberá obra para reter a maré. Foto: Thalyta Tavares/Esp.DP
Orla de Jaboatão receberá obra para reter a maré. Foto: Thalyta Tavares/Esp.DP
Quatro anos após a obra de engorda que abriu até 40 metros de faixa de areia em 5,8km de beira-mar, a orla de Jaboatão vai passar por novo serviço para conter o avanço. No trecho da foz do Rio Jaboatão, que vai da Praia de Barra de Jangada até a Candelária, em Candeias, já é possível perceber a ação da maré. A prefeitura está reunindo informações para definir quando será feita e quanto custará a intervenção.

Comerciantes temem novos prejuízos. “Todos os dias a gente tem que colocar as cadeiras e os guarda-sóis um pouco mais distantes da água e cada vez mais perto do calçadão. Estamos preocupados porque antes (da engorda) era difícil tomar banho e vinha pouca gente, o que dificultava nosso trabalho”, contou o ambulante José do Rosário, de 52 anos.

Nos primeiros três anos, o aumento da faixa de areia atraiu novos comerciantes. Somente após a obra, o número de vendedores subiu de 120 para mais de 500, que aproveitaram a maior frequência de banhistas. “Trabalho aqui há 10 anos e a gente ficava praticamente na calçada para poder vender. Hoje tem muito mais visitantes que vêm consumir e tomar banho”, comentou Azenaide de Siqueira, 46, que vende bebidas na orla de Candeias.

O monitoramento do avanço do mar é feito pelo Núcleo de Estudos Marinhos (NEM), ligado à Secretaria do Meio Ambiente e formado por especialistas das áreas de biologia e oceanografia da UFPE, além de técnicos da prefeitura. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente e Gestão Urbana da cidade, a obra será diferente da anterior. Até o momento, não será necessária nova engorda.

Estamos observando dois cenários. O primeiro é de estabilidade, principalmente na área de Piedade e boa parte de Candeias, que seguem no parâmetro esperado. Já outro movimento está sendo percebido a partir da foz do Rio Jaboatão à Candelária, onde não será preciso nova engorda nem ação de contenção, mas sim uma retenção para diminuir a ação da maré nas margens e impedir que o mar continue avançando”, esclareceu o secretário da pasta, Isaac Azoubel. “Vamos continuar coletando informações para concluir o projeto”, explicou.

A engorda teve investimento de R$ 41,5 milhões repassados pelo Ministério da Integração Nacional. Antes do alargamento, 78 edifícios tiveram suas áreas invadidas pelo mar, de acordo com a prefeitura.

Fonte: DP

Moradores registram avanço do mar na Praia do Abricó, em Rio das Ostras (RJ)

Os moradores apelando por socorro, registraram os momentos do mar derrubando parte das cercas e muros das residências.
Fotos: Arquivo Pessoal / Arte ROJO
Moradores que tem suas casas na orla do Abricó enviaram as imagens com áreas destruídas pelo processo de erosão e avanço do mar colocando em risco as moradias e as pessoas do local.

Os moradores apelando por socorro registraram os momentos do mar derrubando parte das cercas e muros das residências mostrando a situação em que a localidade se encontra havendo uma grande preocupação maior com a destruição total do bairro que margeia a orla do Abricó.

Dona Dulcineia Amaral da Silva, “Por favor, nós ajudem mostrando essas imagens pra pessoas, estamos perdendo nossas casas na Praia do Abricó, em Rio das Ostras, essa noite o mar invadiu levando mais um pedaço de nossas casa, obrigado”, relata.

Algumas ruas já foram fechadas por causa das erosões na Praia do Abricó.

Fonte: riodasostrasjornal.blogspot.com.br
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