Erosão costeira: o que acontecerá a Portugal nos próximos 50/60 anos?

00:40 Marco Lyra | Engenheiro Civil | Especialista em Obras de Defesa Costeira. 0 Comentarios


Praia de Quarteira, Loulé. Foto: PAPVL 2012/2015
Ultimamente, os sistemas dunares têm sofrido graves alterações, em grande parte devido à erosão costeira. Estamos face a um grande problema: há falta de areia ao longo da nossa costa. José Antunes do Carmo, professor na Universidade de Coimbra, afirmou que “como nos rios fizeram extrações ou fizeram barragens, a areia não chega ao mar, portanto aquilo que devia ser uma alimentação natural das praias e das dunas hoje em dia já é difícil, porque não há areia suficiente para alimentar as praias e as dunas”.

Trafaria – S. João da Caparica, Almada Foto: PAPVL 2012/2015
Uma das zonas mais afetadas pela erosão costeira é a zona de Espinho, entre Aveiro e Porto, pois é uma zona de forte ondulação, favorecendo assim este fenómeno. Hoje em dia, este problema constitui um risco para as populações do litoral. 

O especialista ainda acrescentou que “é algo que se está a sentir desde o século passado, devido às construções em zonas fluviais, às represas dos rios, construção de pontes e devido a obras que foram feitas ao longo da costa”. Os molhes são um dos exemplos de obras de defesa costeira que têm contribuído para o aumento da erosão a sul, porque mantêm as areias a norte da obra, impedindo assim que a nossa corrente transporte as areias de norte para sul. 

“Aquilo que está previsto é que haja um aumento exponencial dos efeitos da erosão, com maior incidência nos próximos 50/60 anos. Em meados do século, vai ser realmente mais importante o impacto das alterações climáticas”, explica o especialista. 

Em vários pontos ao longo da nossa costa, como é o caso da Costa da Caparica, ocorrem alimentações artificiais anualmente, ou seja, compensar com mais areia aquela que tem sido retirada. Porém, constitui uma grande despesa para o nosso país, pois é um processo caro que tem que ser repetido todos os anos.

Quanto à alimentação artificial, o especialista propõe uma “solução mista”, ou seja, “algumas obras são necessárias para evitar o avanço do mar, mas há outras que vão permitir que a erosão seja contida através justamente da alimentação artificial de areias”.

A zona costeira contribui com 85% para o PIB nacional, sendo o maior contribuinte, graças a atividades como o turismo. Se este problema se agravar, iremos perder costa que terá como consequências o desaparecimento das praias, das dunas e das proteções naturais. Por sua vez, se estas não forem compensadas, inundarão parte da zona costeira.

As alterações climáticas também têm contribuído negativamente para a erosão costeira. A erosão costeira afetará não só o nosso país a nível económico e social, mas também a nível ambiental. Devido às alterações climáticas, haverá um aumento da temperatura que se traduzirá no degelo das calotes polares e, consecutivamente, no aumento do nível do mar. Assim, a água do mar vai aquecer, o nível médio das águas do mar vai subir e o poder energético das ondas vai aumentar, o que provocará ainda mais erosões. Por outro lado, como o nível das águas do mar será mais alto, a água salgada entrará pelos estuários e pelos rios, contaminando assim as zonas de água doce. 

Também trará consequências negativas para as águas subterrâneas, pois “pode haver contaminação dos aquíferos com a água salgada” se esta se infiltrar no subsolo da zona costeira, o que “vai deteriorar a qualidade da água”.

Para além de prejudicar a qualidade da água, também irá prejudicar os ecossistemas naturais. Por exemplo, se as zonas húmidas com água doce forem inundadas com água salgada, o ecossistema deixará de existir, pois deixará de ter as características que tinha até então, afetando os seres vivos que lá vivem. 

Trabalho de: Audrey Tschiffeli, Carlota Pina, Dayane Mouta e Madalena Carvalho
10º ano da Escola Secundária Dr. João Manuel da Costa Delgado 

Este trabalho foi desenvolvido no âmbito da Formação Relâmpago realizada nos dias 30 de abril e 7 de maio de 2015 na Escola Secundária Dr. João Manuel da Costa Delgado. Os alunos desenvolveram conteúdos mediáticos com base em entrevistas a especialistas de diversas áreas associadas às alterações climáticas e em pesquisa sobre o tema.

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