Invasão do mar no litoral de São João da Barra tem solução (RJ)

13:20 Marco Lyra | Engenheiro Civil | Especialista em Obras de Defesa Costeira. 0 Comentarios


Inea vai analisar estudo sobre fenômeno na Praia de Atafona

Rio - Um problema que se arrasta desde a década de 70 pode estar perto do fim. Embora a faixa de areia da Praia de Atafona, litoral de São João da Barra, esteja cada vez mais tomada pelo oceano, um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) observou que é possível conter o avanço do mar no local. Conforme O DIA publicou em março, dados da Defesa Civil do município apontam que, somente nos últimos quatro meses, o mar avançou cerca de oito metros nos distritos de Atafona e Açu. Um quarteirão, 15 ruas e cerca de 500 casas já desapareceram do mapa.

As soluções do problema foram apresentadas em audiência pública na última segunda-feira. Segundo o relatório, será necessária a construção de nove espigões com 240 metros, numa distância de 400 metros, e aterro de 100 metros de largura, utilizando largas quantias em volume de areia. O estudo tem como referência outra intervenções bem sucedidas na costa brasileira, como Marataízes, no litoral sul do Espírito Santo.

Avanço do mar tem se agravado nos últimos tempos, provocando um cenário de devastação em Atafona
Foto: Foto do leitor Erick Aniszewski
Com o estudo em mãos, agora a prefeitura pretende enviar o projeto para o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para liberação da licença prévia que permitirá licitar a obra. “O momento é de nos unirmos para colocar em prática o projeto desenvolvido através de fundamentações técnicas pelo INPH visando preservar a Praia de Atafona”, declarou o prefeito José Amaro Martins de Souza, o Neco. O custo da obra deverá ficar em torno de R$ 90 milhões a R$ 130 milhões.

O oceanógrafo do INPH, Rafael Oliveira, lembrou que será preciso fazer um estudo para análise de sedimentos do Rio Paraíba do Sul para testar a qualidade e a compatibilidade com o tipo de areia que já existe hoje na praia de Atafona.

De acordo com o oceanógrafo David Zee, a estrutura da obra parece compatível o local. Porém, ele lembrou que precisa haver um estudo de acompanhamento durante muito tempo. “Pelo o que eu conheço da região, a estrutura está correta para a função da obra. Mas ela terá que ser monitorada, adaptada. É necessário estudar pouco a pouco como o mar reage em função da intervenção”, explicou.

No início do ano,depois de alguns meses sem causar novos estragos, o mar voltou a avançar sobre as casas em Atafona. Além de assustar moradores e provocar curiosidade em turistas que visitam o local para ver as ruínas, o avanço do mar produziu imagens que foram compartilhadas nas redes sociais.

Outras praias também engolidas

Além de Atafona, outras praias da região vêm sofrendo com o mesmo problema, segundo moradores. O fenômeno é observado no Farol de São Tomé, em Campos dos Goytacazes, e em alguns pontos de Barra do Furado, em Quissamã.

Dono de uma casa em Atafona, o designer Fernando Luiz Soares, de 54 anos, relatou que o avanço tem sido maior do que o normal neste ano. “Mesmo eu sendo leigo no assunto, tenho notado um avanço abrupto do mar nos últimos meses de janeiro. Todos estamos ficando cada vez mais preocupados”, disse.

Outros municípios costeiros vêm sofrendo com o avanço do oceano. Na Praia da Tartaruga, em Rio das Ostras, a água já cobriu completamente a faixa de areia. A cada ressaca, muros, calçadas e jardins são engolidos pelo mar.

Reportagem de Lucas Gayoso
Fonte: odia.ig.com.br

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