Mar avança e destrói no Litoral Norte de AL

23:53 Marco Lyra | Engenheiro Civil | Especialista em Obras de Defesa Costeira. 0 Comentarios


VORAZ. Fenômeno se acentuou nos últimos 10 anos

Maragogi – Coqueiros no chão, casas destruídas, prejuízos financeiros e ambientais. Todo esse turbilhão de problemas é causado pelo avanço do mar que, com apetite voraz, lambe a costa Norte do Estado para depois arrancar nacos e mais nacos de terra.

Nos últimos dez anos, esse processo se acentuou nos litorais de Maragogi, Japaratinga e Barra de Santo Antônio. Para frear o avanço, muros de contenção são erguidos, a maioria de forma irregular, o que só potencializa os efeitos danosos da erosão.

Especialistas ouvidos pela Gazeta de Alagoas afirmam que o fenômeno é cíclico e que o homem precisa evitar a construção em áreas muito próximas do mar. De novembro de 2013 a janeiro deste ano, a maré levou destruição a casas incrustadas na praia de Barra Grande, distrito de Maragogi.

Antigos moradores relatam que, naquela localidade, houve um avanço de aproximadamente 200 metros. O mar destruiu residências, um bar e acabou com um espaço para a prática do futebol. Até uma escadaria edificada com intuito de barrar o processo foi desmanchada.

Restaram, submersos, fragmentos de construções como tijolos, pedras e vergalhões. Esses obstáculos representam perigo aos banhistas que procuram por uma das praias mais conhecidas de Maragogi.

“Quando a maré sobe um pouquinho, a gente já não tem mais praia. A maré fica batendo nos muros das casas”, lamentou a aposentada Lenita Rodrigues, 73 anos, 40 deles vividos em Barra Grande.

Seu Manoel Lopes da Silva, 73, é pernambucano e, a exemplo de outros conterrâneos, se apaixonou pela praia de Barra Grande.

Em 1981, a primeira prova de amor dele ao lugar foi investir na compra de uma casa de veraneio. Optou por um imóvel um pouco afastado da beira-mar e, talvez por isso, a tenha até hoje intacto. Amigos dele perderam o patrimônio, devorado pelo mar.

Como um beija-flor que tenta apagar o fogo na floresta, seu Manoel junta os cacos das casas que foram arruinadas pelo mar. Num trabalho solitário, recolhe com o auxílio de uma pá: pedras, tijolos, vergalhões enferrujados, sentimentos. Tudo é depositado numa bacia e tirado do alcance dos banhistas para evitar acidentes.

“Faço isso para que as pessoas não se machuquem. Já cheguei a tirar, num único dia, três bacias cheias de pedras. Os vergalhões enferrujados são um perigo e podem ferir as pessoas. Acho que a prefeitura deveria fazer a limpeza dessa praia tão importante e tão linda”, afirmou o aposentado.
 
Fonte: Gazeta de Alagoas

0 comentários:

Postagem mais recente Página inicial Postagem mais antiga