Avanço do mar no Açu (RJ)

13:04 Marco Lyra | Engenheiro Civil | Especialista em Obras de Defesa Costeira. 0 Comentarios


As fotos da orla do balneário do Açu são de hoje, com exceção da última que é do verão deste ano e está incluída para facilitar a comparação.

O avanço e recuo do mar no litoral sanjoanense até o Farol é fenômeno cíclico e mais visível próximo à foz em Atafona, onde já houve grandes avanços e um relativo recuo ultimamente.

O fenômeno do avanço do mar também já atingiu no passado o balneário do Açu levando parte do asfalto da via litorânea, no caminho onde hoje está sendo instalado o porto.

É possível, mas, não se sabe se o quebra-mar e as instalações portuárias causam alguma interferência neste processo.

O avanço deste ano alcança cerca de 25 metros como pode ser estimado pela comparação entre as fotografias enviadas por um colaborador do blog. Confiram as imagens:










Foto do Verão de 2013

PS.: Atualizado às 00:52: Para postar comentário enviado por email do geólogo e jornalista Everaldo Gonçalves que redigiu um texto em que emite sua opinião, sobre o movimento do mar no Açu, as condições a seu ver inadequadas para instalação dos terminais do Porto do Açu. Confira:

"Prezado Roberto Moraes,

Seu post de hoje é interessante e mostra as fotos da realidade do presente e passado da praia do Açu, que foi cortada pelo canal de 300 metros do TS-2, que impede o transito na praia.

Esta orla que é complicada, sem enseada num mar aberto, praia grande que o índio na sabedoria deu o nome, é um formação geológica ativa, ainda não consolidada. As restingas são o crescimento da costa que intercala com períodos deposicionais com ciclos erosivos. Atafona é um exemplo bem conhecido de erosão que tem levado a praia e aumentado as dunas. Este processo esta ligado aos processos erosivos e deposicionais da costa e o afluxo de sedimentos que chegam pelo Rio Parnaíba e a corrente Atlântico-sul carreia e joga no litoral.

O Porto Açu em si afeta o equilíbrio frágil desse sistema? Sim!

De que maneira? Várias maneiras, uma delas é estar alteando a costa com o “aterro” com material dragado nas áreas de interesse do canal do porto, que inclusive já provocaram a salinidade dos aquíferos da região ocupada.

Outra é que qual um trabalho de sísifo, quanto mais retira areia do canal, a corrente mais deposita e as dragas podem não dar conta ou não ser econômico. Este canal no inicio foi avançado antes das obras da ponte e quebra-mar do TS-1 e certamente a batimetria vai indicar o quanto já assoreou.

As dunas costeiras são outro problema, pois são moveis e dependem de muitos fatores e como se observa na costa em direção as obras do Porto Açu aparecem de um dia para outro novas dunas. Parece que as dunas já estão surgindo nas instalações ora em execução.

Desafiar Netuno e Éolo e todas as divindades da natureza ao mesmo tempo é complicado.

A área do Açu, eu tenho dito, que não é adequada para construção que um grande porto, tipo MIDAs, pois quem quer fazer um porto procura pelas cartas de batimetria, uma enseada e nos dias de hoje uma boa retroárea e infraestrutura de estrada de rodagem e principalmente ferroviária. A logística já deveria estar pronta ou chegar junto, mas até o momento nem o Porto está definido e também não há uma definição das obras de duplicação da estrada de rodagem e de acesso ferroviário. Em mapas apontam uma nova ferrovia que viria de Brasília, cruza Minas e espírito Santo para chegar ao Rio de Janeiro, no Açu. Quando estará pronta a ferrovia? De que valeria um porto sem a logística?

O Açu não tem calado, por isso o TS-1, porto offshore, precisou de uma ponte de 3.000 metros para chegar a 18 metros; para chegar aos 26 metros para navios de 380.000 t. precisa dragar um canal de 300 m de largura e 7.000 m e extensão, que está sujeito a forte assoreamento. Já o Porto TS-2, onshore, precisa ser dragada de calado zero até 18 m, mas também sofre assoreamento. A vantagem de dispor uma grande retroárea, que foi conseguida por meio de desapropriações complicadas, não é interessante, pois há muitos problemas de salinização e de fundação em um mangue aterrado.

Em suma meu caro Roberto Moraes a erosão da praia Açu não é um fenômeno geológico localizado e isolado dos demais, uma vez que está num conjunto ambiental ativo e frágil e com o porto pode piorar, inclusive no plâncton marinho. Isto, sem contar com os problemas portuários que vão desde a eliminação da praia, da pesca e de poluição com a operação com carvão, pó de minério, com óleo, gás, Usinas Siderúrgicas e Térmicas, fábricas de cimento, tantas outras atividades desse projeto mirabolante.

Acho que não deveria ter começado. Agora que começou muito mal e está sendo provado com o fechamento da OSX e os demais problemas com a MMX, OGX e com a Anglo American que caiu numa roubada, não sabemos qual será a solução. Não é possível colocar mais dinheiro público nos projetos da EBX.

O Brasil precisa mudar, não podemos mais fazer obras faraônicas, com recursos públicos via BNDES, Caixa Federal, Banco do Brasil e Fundo da Marinha, FAT, FGTS, sem viabilidade. Os portos atuais bem ou mal suportam a grande operação de entrada e saída de mercadoria. Se todos os portos em estudo forem feitos não haverá mercadoria para os mesmos, assim como se todos os projetos de desenvolvimento de minas de ferro entrar em operação o preço vai voltar a proporção praticada no século passado, que variou entre 14 a US$18,00/t.

Um abraço,Everaldo Gonçalves ."

Fonte: http://www.robertomoraes.com.br

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