Pesquisadores apontam causas e soluções para erosão em Meaípe, Guarapari

Os estudos que estão sendo feitos sobre as areias monazíticas na região avançam no sentido de fornecer um diagnóstico para o problema que atinge a região



A orla da Praia de Meaípe e de toda região sofre com as consequências da erosão e do avanço do mar. Fotos: Carolina Brasil

Nesta terça-feira (20), lideranças comunitárias, representantes do poder público e da iniciativa privada se reuniram para aprofundar o debate sobre causas e soluções para a erosão que atinge a orla de Meaípe e região. Na ocasião, o Prof. Dr. Marcos Tadeu D’Azeredo Orlando, que integra a equipe de pesquisa em torno das areias monazíticas no local, apresentou um panorama inicial sobre o problema, resultado de uma compilação de dados e um encontro com cientistas renomados, ocorrido na última semana, em São Paulo.

A solução que a gente está propondo de imediato é a engorda da praia para resolver o problema em curto prazo. Existem vários fatores que a gente precisa estudar, queremos dar o diagnóstico amplo para que a engenharia entre e faça a correção para 200 anos. Não é muro”, ressaltou.

Os estudos sugerem, ainda, que a areia dragada para o calado, poderia ser utilizada para engordar a praia e questionam a razão para isso não ter sido adotado desde as operações no porto. “Essa é uma areia monazítica, de terra rara e cara, não faz sentido depositar em outro local. O que está sendo feito?”, questionou o Prof. Dr. Marcos Tadeu.

“Pra gente é uma questão de sobrevivência. Existe um temor grande a gente percebe que a solução, graças a Deus, está surgindo. O Estado já se posicionou, agora, o pessoal da Ufes e da USP está dizendo que tem condições de fazer os estudos necessários para contribuir para a solução. A gente tem um problema e a Samarco tem a possibilidade de ajudar, acredito que o diálogo é o caminho”, destacou Geraldino Nascimento, comerciante local.
Geraldino Nascimento sonha com a solução e uma nova orla.
Espigões
Segundo Prof. Dr. Marcos Tadeu, a ideia inicial do Departamento de Estradas de Rodagens do Espírito Santo (DER-ES) de construir espigões não é a solução. “Acho que isso foi colocado na necessidade imediata de apresentar alguma ideia, mas não é trazendo um elemento a mais que vai resolver. Algo interrompeu o fluxo de areia e isso precisa ser solucionado. Os maiores cientistas desse país, que eu conheço e que são cientistas internacionais, estão dispostos a ajudar e estão apenas pedindo apoio e estrutura para fazer. Mas só vai sair se o poder público quiser, a Samarco quiser e a população quiser.”
Governo do Estado
Presente no encontro e representando o poder público estadual, o subsecretário de Turismo, Gedson Merízio, comentou. “O Governo do Estado já sinalizou que não haverá obras paliativas e sim duradouras. E as pesquisas da Ufes/USP vão antecipar um processo do Estado, que faria esse estudo para a tomada de decisões de engenharia. Agora, os trabalhos desses pesquisadores serão fundamentais”.
Gedson Merízio garantiu o empenho do Governo do Estado na solução do problema.
Workshop
No encontro, ficou decidido que um workshop será realizado em novembro, com a presença dos principais pesquisadores e cientistas envolvidos, para ampliar a divulgação dessas informações e de todo cenário que envolve os estudos propostos.
Atualização
Em contato com a nossa redação, a Assessoria de Imprensa da empresa enviou posicionamento sobre o assunto em nota:
“A Samarco esclarece que estudo, concluído em junho de 2018, não constatou influência do Terminal Marítimo de Ponta Ubu no processo erosivo da orla de Meaípe. O estudo foi feito por uma consultoria especializada em oceanografia e modelagem computacional com objetivo de avaliar a influência do Terminal Marítimo na região costeira.” 
FONTE: FOLHAONLINE.ES

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